terça-feira, 30 de setembro de 2014

UM PASSEIO A DOIS PELO CAMPO







Indiferentes – passam a vida nisto: fingem que não se veem - o ti Manel e o farrusco ancorados no mesmo sítio, cada um no croché dos seus pensamentos íntimos, ao calor das brasas da lareira.

Terminaram o dia e as suas obrigações. Os acontecimentos, os actores e os espectadores deixaram vazias as cadeiras na plateia e saíram de palco. Apagaram-se os holofotes, os arrumadores limparam os sedimentos da poeira do dia, recolheram-se.

O pano da noite cobre as pessoas e outros seres.

O ajeitar das madeiras e outros materiais, interrompem a espaços a escuridão do silêncio, começa o turno dos fantasmas reais, dos imaginários e dos mundos dos outros mundos. É o horário das almas penadas, das fadas, dos gnomos, da trupe dos elfos e as suas traquinices.

Fios de ideias esvoaçantes entram pelas janelas abertas, enfunam-se os cortinados, pisca a luz nos pavios das velas acesas, há correntes de ar que circulam nos interstícios das prateleiras dos arquivos pessoais.

“Onde andam os meus? O meu neto Manel, o meu nome, não lhe vi feições, saindo ao pai é parecido comigo. Pudesse eu mergulhar estes olhos, momentaneamente autorizados pelas cataras, a ver os seus contornos.”

“A esta hora dorme, amanhã tem escola.”

“Falta tanto para o próximo verão, falta tanto no que sobra de minutos, de nada me vale o tanto que não posso descontar em cruzes nos dias do calendário: este ano como nos passados não vêm para as festas da aldeia, aldeia manca de gente.”

“Não sou de meiguices, mas apetecia um bom abraço do meu Joaquim, com palmadas nas costas! Contentava-me vê-lo; e do Manelito estontear-me com as suas correrias inesgotáveis de criança.

“Estou a ficar velho, dá-me para a melancolia.”

Era mais ou menos isto que o Manel pensava, com palavras mais suas e menos literárias.

O farrusco não tem descendentes emigrados, a sua família é o dono. Não rumina saudades – é um cão, não rumina - sem razão de as ter – o que é bom para a saúde – é um cão sem restrições na liberdade para roncar profundamente, que é o que faz.

Estas duas almas são a alegria deste cemitério de casas que não são mausoléus porque estão desabitadas de vivos ou mortos.

Só o vento trespassa os interstícios dos corpos e das pedras, nada mais que vento frio, reumático.

Depois destas evidências da velhice – a pieguice - o ti Manel, às portas do sono, deixa-se cair na enxerga, iniciando o despique sonoro com o fiel companheiro, que nenhum deles se ouve, pelo que todas as noites neste casebre perdido numa aldeia abandonada da serra, uma orquestra a duas vozes executa um espectáculo privado para surdos.

Nem o gado a descansar na loja os ouve, que seria a maior e a única audiência. Até hoje não se soube de um comentário de agrado ou desagrado sobre a qualidade das récitas, o que impossibilita uma crítica distanciada.

Essa ideia muito legítima de querer conhecer o neto, ficou a fazer pingue-pongue na sua cabeça, que nos dias seguintes, não fosse o cuidado e profissionalismo do cão, o gado ter-se-ia tresmalhado, inexistente o seu querer ao trabalho, pouco ou nenhum, revirando-se apenas nos pensamentos obsessivos da saudade.

Decidiu-se por uma atitude, para sair do impasse, que é sempre uma paragem forçada e esgotante.

Ganhou-se de coragem e começou por ensaiar mentalmente a escrita de uma carta, a construção das palavras para quem delas não é pedreiro, não faz paredes direitas. É necessário pensar muito seriamente antes de se arriscar a pegar na caneta.

O texto simples dizia: “ Meu querido filho, quando vens a ver-me? Quando te vejo eu a ti? Quero conhecer o meu neto tocando-o, que só assim se conhecem os seres. Dá-me notícias, e uma alegria. Teu pai”.

Mais uma vez com as suas palavras e os sons que lhe correspondem.

Numa ida à feira da vila, onde foi vender queijos dos bons e soltar a rédea às conversas engarrafadas, pediu a um conhecido que pusesse a carta no correio.

E assim seguiram os fios dos dias nas conjugações de cores que escolhem, continuando o ti Manel na sua rotina, com o farrusco mergulhado em preocupações porque o dono não tirava os olhos turvos da ponta das botas. De noite pelo contrário, revirava-os para as telhas do tecto: parecia que rezava.

A notícia não se anunciava.

Sendo o lugar póstumo de gentes, o carteiro aparecia pouco e mais pela consideração ao Manel, e na direcção de outros ermos, em calhar, fazia uma paragem técnica para partilhar um copo de aguardente com figos secos, a fazer lastro para o destino seguinte.

Nos dias que se seguiram ao envio da carta para o filho,
o pastor perscrutava insidiosamente o carreiro que faz a bissetriz do casario bafiento, com os cotovelos repousados no beiral do casebre, esperançado pela vinda do amigo, e ele nunca mais vinha.

..........

Os relógios deram as voltas que tinham a dar até o António dos CTT estacionar com estrondo a sua famel em paralelo com a parede da casa do Manel.

Anunciou-se buzinando.

O cão ladrou competentemente – grande cão este - e o dono deu nota do acontecimento abrindo a porta com os nervos em rendilhado.

O António tira da ilharga da motorizada um pacote.

“Aqui tens Manel, uma encomenda da França.”

“Achega-te homem, deixa ver.” Tremia-se todo, por dentro e por fora, tentando não mostrar fraquezas.

Conteve-se em esforços de esperar que o companheiro se sentasse no escano ao lado do fogo, foi pela garrafa de aguardente, íntima dos dois, serviu, tomou pose do embrulho, levantaram os copos e emborcaram de uma vez. Serviu segundos, e abriu a encomenda.

Uma caixa negra, mais ou menos quadrada com um papel branco colado com fita-cola que dizia: “olá meu pai,
estimo que te encontres bem, nós por cá, indo. Peça por favor ao António carteiro, para ler esta carta, que tem prática de ler endereços nos envelopes e explica-lhe tudo.”

O Manel passou-o de mãos para as mãos do António.

O farrusco não deu opinião.

Dizia a carta:

Meu pai, a vida nem cá nem em parte nenhuma é fácil, trabalhamos muito mas é cara, pouco juntamos. Ainda não é desta que o vamos visitar. As coisas estão a ficar difíceis. Os de cá nunca gostaram de nós, aceitaram-nos para fazer os trabalhos que eles não queriam. Deixaram-nos ir ficando, trespassando-nos com olhares frios, virando a cara, como se fossemos seres desprezíveis, inconsistentes.

Agora falta-lhes o emprego e eles descarregam nos emigrantes a usura que fizeram do mundo.

Não posso mesmo ir, se me ausento do trabalho um único dia, no seguinte já o perdi”.

Ti Manel ouvia a leitura feita pelo António, com os olhos num crucifixo pendurado, deslocado, numa parede imensa e vazia.

“Senhor António, essa encomenda que envio ao meu pai, é um computador, já devem ter ouvido falar dessas máquinas, servem para tudo.

É fácil de ligar, mas se for necessário ajude-o”.

O Manel vai no terceiro, copo.

O carteiro, que é um profissional das letras, pequena, grande, fina, grossa, rabiscada, formal- um decifrador de todas - facilmente entendeu a maneira de dar vida
à máquina.

“Vamos ligar, que isto é parecido com as televisões.”

A caixa depois de aberta está cheia de botões, seguidos uns aos outros em filas, todos pretos. Sem desenhos, bonecos, letras ou números. Nada, só preto. A tampa é lisa e igualmente negra.

Só um botão está escrito. “Deixa ver, diz AQUI”. António pressiona-o.

Dá-se uma estridência de luzes e sons. O farrusco ficou com os pelos desfrisados, ladra histericamente.

Aparece um miúdo de olhos profundos e fixos, com um cabelo de caracóis revoltosos e um sorriso cheio de imenso que inunda os espaços livres da cara.

Ti Manel não o reconheceu à primeira mas encontrou parecença, chorou, desarmou-se de homem em frente do amigo e chorou.

A criança ou o boneco de criança projectado a cores respeitou a sua emoção e esperou que o avô acalmasse, para falar.

“Posso sair daqui e sentar-me no teu colo?”

O velho, feito pasmo disse: “salta que eu apanho-te” e Abriu os braços fortes enquanto o miúdo se lança no ares em voo picado de um universo a duas dimensões para este que tem pelo menos mais uma.

“Hoje não tenho escola, tenho o dia todo para estar contigo”.

”Como se chama o teu cão?”

“É o farrusco”.

“ É maior que eu”.

“Pois é”.

“Morde?”.

“Não sei, pergunta-lhe”.

O miúdo estendeu-lhe a mão e ele reconhecendo cheiros, pôs o focinho a jeito de um toque.

“Vamos passear, leva-me a ver os teus lugares. Tens mais animais?”

“Muitos”.

“Vamos soltá-los para nos fazerem companhia”.

“Vamos”.

O Manel pôs a criança às costas, deixando o António atónito a olhar para os dois com o copo na mão, e desceram as escadas seguidos do familiar.

Hoje refresca porque são inícios de Outono e o avô assegurou-se que o catraio estava confortável. Ocorreu-lhe nesse gesto simples quase imerecido de referência, que há muito tempo não protegia ninguém.

No borbulhar incessável dos pensamentos, emergiu uma lembrança antiga, em que outra criança, num daguerreótipo sépia, veste uma samarra e um homem jovem se curva para lhe ajeitar a gola de pele de raposa. Reconheceu-se, reconheceu o filho, que já não existe com as mesmas feições de uma fotografia antiga.

“Tens tantos animais aqui fechados. Como se chamam?”

“Ovelhas”.

“Todas?”

“Só ovelhas. Não têm outros nomes”.

“Para que servem?”

“Para darem leite para os queijos, e lã para fazer camisolas quentes.”

“Posso tocar?”

“Podes”

Abriram a cancela da loja e os bichos foram saindo, o miúdo com o braço a fazer de portagem foi-lhes tocando enquanto saiam na sua lentidão ovina habitual, enfadonhas que são as ovelhas.

O cão comanda a procissão, fecha-a o velho, com o neto às costas, cordeiro de deus.

Caminharam-se serra acima, e foram pondo a conversa em dia: os seus atrasos, as novidades e as curiosidades. Havia também muita história e outras intimidades particulares. Embrulharam-se na troca das palavras.

Caminharam sem conta dos passos que deram, distraidíssimos do passar do tempo e regressaram naturalmente para casa quando teve que ser.

“Estou cansado avô. Apetece-me dormir”.

“Queres ficar na minha cama? Que te ponho mais uma manta?”

“Não posso avô, eu sou virtual (palavra sem significado para o pastor), não estou ao vivo aí contigo. Foi só a tua imaginação que ao ver-me na imagem do computador, inventou esta conversa”

“Isso não é possível, acabo de te tirar das cavalitas, ajudaste-me a pôr o gado no curral! Dizes que não te toquei se te sinto?”

“ Não me tocaste avô, mas sim, é verdade que me sentiste”. ”Mas não te preocupes, amanhã se quiseres voltamos a passear juntos, e se me deixares levo eu o cajado na mão”.

 “Agora carrega nesse botão que está escrito e vamos dormir”.

“Até manhã à mesma hora avô”.

“Boa noite meu filho, dorme bem”.



terça-feira, 23 de setembro de 2014

O meu amigo romani




Tenho um lugar de estacionamento reservado, todos os dias da semana até às 8h30. Se me atraso, as coisas complicam-se e dou-lhe mais vinte cêntimos para conseguir outro decente, de acordo com os meus princípios. 

Depois das manobras, seguindo as suas indicações e sinaléticas - como se eu tivesse uma limousina de cinco metros difícil de manobrar, quando a minha viatura, se estender o braço acaricio o vidro traseiro - fecho o veículo com um comando à distância, que me intriga por ainda funcionar, e dou-lhe a propina diária.

- Bom dia chefe. Bom trabalho.

- Bom dia chefe, obrigado.

Foi a conversa mais profunda que tivemos nos últimos trezentos dias – descontando os descansos.

Hoje é domingo, e estou numa galáxia distante da que habito nos outros dias da semana.

Estou parado num sinal vermelho num bairro às portas da cidade. Não olhei mas sei por instinto que tenho um eléctrico amarelo ao meu lado.

Distraío-me com a radio enquanto espero que os meus pais desçam as escadas para irmos almoçar. Cumpro neste local e neste momento a desculpa esfarrapada do filho consciencioso e grato que não abandona os pais velhos na solidão.

Reponho os meus níveis de consciência tranquila com um almoço semanal de duas horas em que os resgato temporariamente do abandono. Depois disso sobrevivo às recorrências do sentimento de culpa, até ao domingo seguinte, e eles convencem-se a si mesmos que a semana se reduz aquelas duas horas, e que todo o restante tempo que a preenche não é mais do que um buraco negro vazio de tempo.

Enganamo-nos mutuamente numa espécie de acordo silencioso em que nenhuma das partes denuncia a outra.

Mas eles amam-me muito mais, porque se convencem da ausência de tempo, pelo amor que me têm, e eu, nem das recorrências me livro!

Enquanto espero, não penso em nada de especial, senão no desejo vago de que as próximas duas horas sejam rápidas. Tenho coisas mais fundamentais para fazer no domingo, como por exemplo,preparar-me para os dias que tenho pela frente na galáxia real em que resido.

Do meu lado esquerdo começo a ouvir um matraquear abafado e persistente. Uma mão a bater insistente numa superfície sólida.
Viro-me por instinto, e vejo um individuo a gesticular para mim com um sorriso sem dentes à vista.

Este homem está absolutamente alegre por me ver, creio.

As suas feições não são estranhas mas não identifico imediatamente quem seja. Reconheço o chapéu, reconheço o colete cor khaki: já sei! É o romani que gere por conta própria o descampado de terra batida, ao lado do teatro da “Comuna” onde estaciono o carro. 

O que me dá as indicações precisas, como um funcionário “follow me” a estacionar um Airbus na placa do aeroporto.

Está mesmo feliz de me ver num sítio improvável para ambos, e eu, sem maiores explicações, também fico muito feliz.

Rimo-nos pateticamente e não paramos de nos dizer adeus e de pôr as mãos fechadas com os polegares para cima. Gestualmente relembramo-nos um encontro marcado, amanhã, no lugar do costume.

O eléctrico arranca eu ainda não, ele vai à sua vida. Eu continuo à espera de cumprir a minha, de preferência sem remorsos de monta.

Aí vêm eles, vamos almoçar.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DESCULPEM-NOS





- Desculpe, não fiz de propósito! Só queria ir ao facebook colocar um autoretrato. Acho que pressionei o botão errado (as unhas de gel não dão jeito nenhum para teclar teclas de computador), e apagou-se tudo.

-Deixe estar colega,não é a única, eu também peço desculpas. Errei nos cálculos, nunca tive queda para as matemáticas: para fazer o quinto ano dos liceus necessitei sempre de explicador.

- É bom pedir desculpa, mais ainda quando o fazemos juntos, liberta-se o sentimento de culpa, de insucesso, a frustração de se estar sempre a errar.

-Cara colega, a dois, é tudo mais fácil.

-Sabe por acaso o colega se aqui na repartição podemos frenquentar algum curso de computadores em horário pós laboral?

- Já perguntou nos Recursos Humanos, se eles têm? Eu cá por mim já comecei a comprar uma colecção em fascículos semanais que sai no jornal. Chama-se: “como preencher uma folha de Excel”. Pode ser que tenha outros temas informáticos.

- Obrigado colega, vou ver. Entretanto, a minha filha fazia anos ontem e não recebeu o meu autoretrato no face. Que aborrecimento. O transtorno que isto me causa, nem pode imaginar!

- Bem a compreendo estimada colega, o meu erro também afectou – se bem que muito ao de leve – milhares de pessoas que queriam ir para o trabalho e ficaram sem saber onde. É um contratempo, confesso.

- Olhe e se pedissemos de novo desculpa? Em uníssono,a duas vozes? Espaira a tensão.


- Vamos nisso: DESCULPEM! 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Guerra



Não te sobressaltes, eu estou aqui, aninha-te na minha mão.

Os sons estridentes que se ouvem no exterior não nos estão a chamar para a festa. As luzes coloridas que se veem no céu da janela da nossa casa, não estão a anunciar calendários de romarias.

São sons maus e luzes feias, sons que violam os nossos ouvidos, luzes que cegam os nossos sentidos. Não nos deixam dormir, prenunciam uma guerra a bater à nossa porta.

Não atendas, pode ser que vão embora. Vamos fingir que não estamos em casa.

Apaga a luz, e finge.

Os tambores estão a assustar os animais. Oiço-os balir, coitados dos animais.

Imagino – mas não distingo os rostos - homens que fazem tremer o chão com os tacões das suas botas pretas infetas. Levam aos ombros estandartes de mau gosto, e caminham em uníssono para nos amedrontar e espetar os pálios aguçados nos locais das novas conquistas.

Imagino que à sua frente, outros homens a quem ninguém pediu opinião, disfarçando o choro para dentro, para não apoquentar as mulheres e as crianças, abandonem as suas casas.

Transportam nada nos ombros, rumo a nenhures, a uma terra sem mais exigências senão a possibilidade simples de viver.

Tenho em mim a vergonha dos homens do mundo, e a frustração de não ser capaz de os chamar à razão.

A ausência de um algo que seja – uma sensação, um esboçar de emoção, um esgar de sentimento - habita as suas mentes gélidas.

Não há sinais de vida humana nos labirintos vazios que preenchem os invólucros cranianos dos homens dos tacões negros.

Não consigo chegar à fala com os corações desses homens: couraçados pela musculatura desenvolvida nos ginásios do poder, em que treinam, frenéticos, obcecados, dia e noite, alucinados pelos efeitos de hormonas indesejáveis.

Passa-me agora pela cabeça, a correr desalmadamente, a ideia que somos a espécie mais evoluída do planeta mas não a mais sensata.

Evoluídos e bacocos! Arrepio-me.Tenho frio.
Estou agora numa cena diferente: vejo-nos a idealizar grandes obras, moldando essas abstrações em matéria – dizemos arte - para deleites e encantamentos de todos.

Mas ao lado dessas obras, junto a nós, iguais a nós, vejo homens a assassinar com a maior das crueldades, enterrando as adagas até ao punho, num gozo e num acto que nenhum animal pratica.

Tenho vergonha e medo. Muito medo!E frio.

Acordo sem saber onde estou. Levo tempo a orientar-me. Executo malabarismos patéticos com as mãos para voltar a ser senhor do escuro. Encontro o teu corpo quente.

Não te preocupes, dorme o teu sono repousado. Eu estou aqui.

 Acabei de ter um pesadelo.