sexta-feira, 24 de abril de 2015

FLORES DE ABRIL



Abril é o mês em que as pétalas de todos os nomes de flores se espreguiçam na sua plenitude insinuante, provocando os transeuntes distraídos.

Não sei se será assim de verdadeiro nos manuais da botânica: todas as flores florirem ao mesmo tempo - tenho incómodos com as ciências exactas, o que amplifica muito as minhas imprecisões- mas inventei uma crença sobre esse desabrochar avassalador, e até que me desconvença não arredo pé de uma ideia que me parece decente, para não dizer honestamente apropriada.

Todas florescem em Abril, até as sardinhas, que sendo peixes, são as flores do nosso mar. Saltam vivinhas e malandras, espelhando dourados ofuscantes na reflexão dos raios do sol – insinuantes os raios que ensaiam iridescências do verão que se anuncia.

Como são flores – naturalmente femininas e vaidosas - fazem-se convencidas nas suas exuberâncias sensuais, apresentando os vestidos mais atraentes, na plenitude da jovialidade.

A frescura das suas pétalas tira-nos do sério. Femininas e leves, não resistimos!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

UM ANJO



Hoje cruzei-me com um anjo, numa paragem de autocarro. Andam por todo o lado, principalmente nos locais menos prováveis. As pessoas dizem que não os veem, não os encontram, porque andam tão assolapadas nos seus aturdimentos da vida, que só olham e não veem.

Este anjo apresentava-se banal. Não irradiava luminescências, nem outros fogachos de artifício. Era um ser simples disfarçado em cão.

A dona, um ser igualmente lindíssimo, afagava-o na paragem do autocarro. Afagava-o mas não o via, não podia.

O cão-anjo, cumprindo a rigor os preceitos das entidades angelicais, estava simplesmente presente, derretendo-se com as carícias da dona. E olhava-a dizendo precisamente isso: amor.

“Aqui estou para te guiar e tu comigo para me fazeres festas, que é o que mais gosto".

Vi hoje um anjo, e fiquei especado e parvo a vê-los os dois amando-se perdidamente em plena via pública.


Ganhei este fim de dia de Abril ensolarado. Que raio de mês este, que mexe tanto comigo!


quarta-feira, 1 de abril de 2015

QUE BOM, ABRIL DE NOVO



Hoje o dia nasceu em desmesuras e exuberante. Talvez por ser Abril. A passarada, o Sol quente, a luz brilhante, não se deram a trabalhos: irromperam.

E nós, ansiosos por Abril, aperaltamo-nos de contentes.

Se começa assim, vai ser um bom mês, o que aumenta as expectativas.
De todos os meses do ano – cada um com os seus encantos – Abril sempre trouxe grandes esperanças. É por isso que estamos como crianças irrequietas. Soltamo-nos mais convencidos, e bem, que as trevas dos frios invernos ficaram para trás.

A Primavera é o renascimento, mas para nós conta a dobrar: as flores que desabrocham, são as flores que trazemos na lapela, e não as aguentamos na mão excitados de as oferecer.

Supimpa e inolvidável este Abril, esperamos que siga o seu caminho e nos embale soltos e confiantes até ao fim do ano.


O doce calor do renascimento anima-nos tudo, é a nossa fotossíntese.