sexta-feira, 1 de setembro de 2017

SETEMBRO E LISBOA



      Créditos Helena Simões da Costa




Sente-se o epílogo do verão
na acalmia do calor ao entardecer.
Os dias equilibram-se com as noites,
as manhãs estão mais frescas.

Lisboa vive a sua glória,
os melhores ocasos do ano.
O sol despede-se alinhado com a entrada do Tejo no mar, fingindo-se debruçado sobre uma janela que não existe à sua espera.

O céu deixa de ser o pouco mais que azul,
dos dias de quotidiano obrigatório e
projecta uma profusão desbragada de cores intensas,
numa luminescência teatral.

O prémio para a mais bela cidade dos arredores
reside nessa excentricidade sua,
que é minha e intransmissível,
sob a perspectiva do meu sentido de posse.

E,

Se um dia, nos meus dias,
esse espectáculo esmorecer,
tenho a projecção da excentricidade colada na parede que me reveste o interior.

A minha decoração privada
para momentos de névoa intensa,

que são bonitos, mas inseguros.


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